• Geraldo Leite

O RIO DE JANEIRO DOS PRIMEIROS ANOS

Como era o Rio de Janeiro dos primeiros anos? Pedro Dória, no livro "Enquanto o Brasil Nascia", descreve assim:

Durante a noite tinha-se o sono embalado pelo coaxar dos sapos e o cri-cri dos grilos. Às vezes, ouvia-se o piado de uma coruja, ou o ruído de um animal maior.

Ao despertar, ouvia-se, além do canto dos galos e do badalar dos sinos da Sé, os gritos de um índio oferecendo a água que ele apanhou no Rio Carioca. Os interessados teriam de pagar o preço estipulado, pois o vendedor era um índio de ganho, sustentado por um português qualquer.

Feito o pagamento, o comprador enchia um caldeirão que servia para lavar as mãos e o rosto, beber e cozinhar. Quem não podia pagar, ia ao rio colher, ele próprio, a água que necessitava.

A cidade, diz Salete Nene, seria inviável sem o elemento indígena. O índio ensinou ao branco o que plantar, a época em que deveria colher, como transportar a colheita e armazena-la. Enquanto isso as índias faziam o trabalho doméstico, e embalaram os primeiros cariocas, quase todos mamelucos. Não havia português em quantidade suficiente. Além disso, o indígena se contentava com qualquer pagamento. Trabalhava quase de graça.

Quando estava em casa, o português desejava repouso e para isso se debruçava na janela para ver o tempo passar, ou se deitava na rede, para dormir ou dar ordens.

Apesar desta convivência de certo modo pacífica, a relacionamento com os índios era complicado. Alguns eram escravos, capturados nas guerras de conquista. Outros eram livres. Alguns eram de ganho, isto é, trabalhavam para alguém. Sua natureza rebelde não suportava o cativeiro. A maioria falava tupi e poucos entendiam o que os portugueses diziam.

Os tupiniquins eram tratados como aliados, sobretudo os catequizados pelos padres da Companhia de Jesus, os quais tinham ordem do Papa para cuidar deles, e protege-los.

A influência indígena foi de tal ordem que, muito tempo depois, quando o tráfego negreiro se consolidou, muitos escravos de ganho saiam pelas ruas, gritando:

---- Yi, Yi, Yi!!!!

Na linguagem tupi;

---- Água, água, água!!!

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